quarta-feira, 9 de julho de 2008
O CINQUENTENÁRIO DA RÁDIO COLMEIA
É hilário o trecho que extraio da memória alusivo aos 50 anos de fundação da Rádio Colméia (AM) de Cascavel. Metade dos anos 70. Uma segunda-feira chuvosa. Os jornais editados em Curitiba atrasaram. O ônibus não estacinou no horário habitual na Estação Rodoviária, atrasou a entrega dos matutinos na banca de jornais e o espaço dedicado ao futebol, no Radiorama, programa de variedades do meio-dia, estava ameaçado de ser preenchido com música. O editor, Hilário Kell, Alemão Louco, de Mal. Rondon. depois de ter sido anunciado, ingressou no estúdio sem script. Observei se iria falar de improviso durante l5 minutos, que era o tempo dedicado ao bretão esporte. " Deixe primeiro me darem o microfone, para ouvir o esporro que vou dar nestas empresas de ônibus", respondeu, se ajeitando na cadeira que eu acabara de desocupar. O contra-regra liga o microfone, baixa o volume do fundo musical, um samba do Tamba Trio, e Hilário irrompe cheio de razão e de críticas à Sulamericana - era esta a empresa que atrasara a chegada dos jornais - Gazeta do Povo e O Estado do Paraná. A desculpa foi mais ou menos, nos seguintes termos: " É uma vergonha, estarmos sem jornais em Cascavel ( olha pro relógio na parede) sendo que já são l2 horas e 27 minutos. Estamos sem condições de apresentarmos nosso caderno de esportes por absoluta falta de jornais. Toda vez que chove com alguma intensidade, os ônibus não chegam no horário e a gente fica sem material para divulgar". Iria dizer mais, porém, o atento editor do Radiorama, Paulo Martins, mandou o operador de áudio desligar o microfone, abriu a porta do estúdio, procurando se certificar de que o que iria falar não iria ser publicado, e sentenciou: " O Cagalhão, não me venha com essa desculpa de que os jornais atrasaram e, por isso, não há matéria para preencher teu espaço. Estas desligado da emissora, passe no RH à tarde e acerte tuas contas. Locutor, aqui na Colméia, é contratado para resolver e não para criar problemas". Fechou a porta, que Hilário reabriu em seguida, discutiram nos corredores, Paulo retomou sua rotina na gerência da emissora, Kell, surpreso, desceu as escadas do prédio, na Rio Grande do Sul, voltou à tarde, acertou com o Tio Jacó suas contas e voltou a Mal. Rondon, de onde, deve ter pensado no assento do ônibus, nunca deveria ter saído para aventurar num prefixo mantido a mão de ferro por Paulo Martins. Eu cheguei a pensar em dizer na sequência do Radiorama que, a Recortagem do Hilário, não agradara ao patrão. Porém, com os ânimos do jeito que estavam, calei-me. Esta é uma das inúmeras passagens folclóricas da mais antiga emissora em Amplitude Modulada do latifúndio Cascavel. Dependendo do meu arquivo, se for de interesse de vocês, posso contar outras, mais engraçadas e pitorescas. Como aquela em que o ministro das Comunicações de l972. Higino Corcetti, não foi entrevistado porque o gravador da rádio não tinha pilhas. Ou tinha, mas estavam sem carga. Em breve.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário