sexta-feira, 16 de abril de 2010

LUIZ CARLOS REIS MORREU EM SÃO PAULO. E FAZ TEMPO

Quem me deu a informação, o furo, chama-se André Vieira." Luiz Carlos Reis morreu do coração, em São Paulo". " Capital?", Perguntei. "É", seco confirmou. Reis era bate-estaca de fazendeiros desde os tempos de Aroldo Cruz, o que não consta dos compêndios históricos em disponibilidade por ai. No caso Heleno, já na decadência do jaguncismo rústico de Marins Bello, dando espaço ao de gravata dos anos 70/80, Luiz Carlos, funcionário do depósito da Drogaria e Farmácia Santa Cruz, de Gilberto Mayer (Arena), desempenhou este roteiro, no dia l3 de agosto de l979, uma terça-feira, após a chegada ao latifúndio de 100 mil habitantes - Cascavel. Usando o Fiat l47 de Euclides da Rocha, que trouxe Francisco Sá Leite (Salles) e Valter Azevedo (Polaquinho) de El Dorado (MS) com a missão de executar um homem de imprensa, um tal de Antônio Heleno, depois que o Sargento Arthur de Oliveira, carcereiro da Delegacia de Polícia fora àquele estado ao lado de Júlio Telles de Moura (Julinho) contratar dois gatilhos de aluguel. Luiz Carlos se dirigiu à sede do jornal que batia no prefeito mostrar o "passarinho", gíria dos pistoleiros. Se Heleno, que estava lá quando alguém apareceu no pátio do jornal com interesse em comprar um Corcel do ano que ali estava, saísse da sala onde estava para conhecer quem era o interessado, teria morrido antes da madrugada do dia l4 de agosto, na Gal. Osório, que nada tem a ver com a cantora baiana - é abreviatura de general. O Corcel não era de Heleno, assim como não era o matutino que pegara fogo nas máquinas em fevereiro de l979, depois que o patrão do Luiz Carlos ameaçou botar fogo naquela merda, que tanto fedia e incomodava os coronéis que a Marlise não teve coragem de nominar em 2008, no TRE. Em l994, folheando o livro que narra a morte de Diniz Bento da Silva (Teixeirinha), Reis se ensutiasmou e me confidenciou detalhes daquele l4 de agosto. Disse que o 38 usado por Salles, além de Taurus, tinha o cano era curto. Que o matador usava uma camisa xadrez e que jantaram no restaurante do Beppe, na Padre Champanha, que não era pedófilo, horas antes da pistolagem. De Mato Grosso até Terra Roxa, vieram os facínoras de Toyota de um fazendeiro bondoso que cedeu o utilitário ao "Carlinhos", que também atuava como pistoleiro de um latifundiário, versão que bate com outra, de Raimundo Nonato Siqueira, delegado que quase prendeu Salles, se o Cabo Ivo não chegasse antes até um hotel de Ponta Porâ, em 17 de outubro de l979, dois meses depois de Heleno ter ido cortar lenha, mesmo sendo Tiago de Amorim um menino de colo, em Assis Chateubriand. Luiz Carlos foi ainda bate-estaca de Nelson Tomazinho, prefeito de Vera Cruz do Oeste, que não foi morto a tiros. Perdeu a vida no trânsito. Durante a solenidade de posse de outro fazendeiro, Salazar Barreiros, em nossa (deles) prefeitura, em l989, caso Balaio, Reis estava lá. Eu o vi. De bigode, e já com uma barriga proeminente, marca registrada de sua obesa silhueta. Narro às fartas sua morte, em retribuição ao elogio com que fui com ele distinguido antes da confissão dos detalhes do crime que mais abalou a cidade na era de chumbo. " Bindé, pra você eu conto, porque tu sabes ler e escrever. Para o "Pantera", ( Lourival Neves) jamais Luiz Carlos diria o que me disse. Odiava o apresentador de Nas Malhas da Lei, onde fora execrado como xiqueteiro. Por estar o compadre de Lourival Neves, Pedro Almery Kochinski na portaria da emissora dos Muffato, exatamente naquele momento, jurou-me Reis, que o delegado do Oitavo Distrito, Curitiba, deu mais alguns anos de vida ao esquálido ex-vereador. "Eu fui lá pra matar o Lourival!".

Já, deve estar na penitenciária de segurança de Catanduvas (PR) o assassino confesso do cartunista Glauco. Carlos Eduardo, foi filmado, hoje de manhã, entrando num camburão, em Foz, iniciando a viagem de duas horas entre as duas cidades. Em Catanduvas, onde os fãs do cartunista são assinantes e leitores eventuais da Folha de São Paulo, jornal que publicava as charges do Geraldão, personagem de Glauco, protestaram na frente da unidade prisional que Cascavel não quis porque seria um presente de grego, na visão épica de Jacy Scanagatta, que não leu A Ilíada, mas acha que não foi Homero quem escreveu o poema homérico.

Racha na quadrilha que desmanda no estado desde 2003. O MP mandou investigar indícios muirto fortes iguais ao Mike Tysson, de que produtos contrabandeados apanhados pela Receita na rota do contrabando na fronteira com o Paraguai, depois de serem entregues à instituições que necessitam de computadores e de máquinas fotográficas, acabam nas casas e apartamentos de milicos de alto coturno e de subalternos nanicos. Na Terceira Companhia da Polícia Rodoviária Estadual o caso começou. Se espalhou pela Unioeste (Cvel), chegando ao Hospital Universitário, chamuscando até o suposto imaculado Nurce, que também pode ser sigla e/ou acrônimo de personagem de Casseta & Planeta criado pelo Reinaldo, o melhor casseteiro, ao lado de Hubert, pai do General Avelar, aquele que sabia que o golpe de 64 não iria dar sorte ( extertores de O Pasquim). Ação Cicil Pública é o que quer o MP, desde que sejam apuradas provas concretas sobre o segundo desvio de conduta encolvendo os equipamentos portáteis de informática, avaliados, estamos em pleno capitalismo, mesmo com o que Marx previu, em l5 000 reais. Falta, agora, o secretário Aramis mandar a tiragem civil e militar acabar com o jogo do bicho, contravenção que Luiz Carlos Delazari e Requião trataram com extrema benevolência. Desconfio até que, a reeleição, pode ter sido sustentada pela contravenção. No Rio de Janeiro, que a despeito de tudo, continua lindo, desde que você ouça Gilberto Gil (Aquele Abraço) os jornais Extra e O Globo estampam hoje em suas respectivas capas, fotos de bancas de bicho funcionando ao lado de delegacias policiais, numa promiscuidade que só não se compara à local, meu caro Jair Aragão, porque aqui não tem delegacias na Souza Naves e outras artérias centrais. Um abraço, se dois é demais.

Um comentário:

anzoeiri disse...

Caro Bindé, você mais uma vez demonstra como se faz bom jornalismo. Parabéns pela divulgação da morte do Luiz Carlos. Agora para que tudo se complete, só faltam os mandantes e eles sabem que mesmo "impunes pela Justiça", serão apanhados pelo braço, pelas pernas e até pela polícia da morte que a todos contempla. Nessa hora fico na torcida para termos um espaço de morte, onde chegam os matadores e eles vão de um em um. Quem sabe eles acabem encontrando um pistoleiro de tocaia que os viva. (Se quando estamos vivos nos matam, quando estamos mortos devem nos viver).